Apaixonado por cinema, Wagner Moura compartilhou ao Letterboxd, rede social queridinha dos cinéfilos, uma lista com os quatro filmes favoritos de todos os tempos.
E não se trata de uma seleção óbvia: os títulos revelam muito do olhar artístico e político do ator, conhecido por papéis marcantes tanto no Brasil quanto fora dele.
Abaixo, você confere quais são os longas que mais marcaram a vida de Wagner, além de onde assistir dois deles. Spoiler: tem desde um clássico italiano até produções brasileiras provocadoras.
O Emprego (1961), de Ermanno Olmi
(Ainda indisponível no streaming)
Esse drama italiano acompanha Domenico, um jovem da classe operária que busca uma vaga de emprego em Milão.
O processo seletivo, burocrático e impessoal, dá o tom da crítica do diretor ao mundo corporativo, onde o sonho de estabilidade acaba sendo engolido pela monotonia e a alienação.
Domenico acaba sendo contratado por uma grande empresa e começa a lidar com a rotina fria dos escritórios, ao mesmo tempo em que desenvolve uma discreta ligação com a colega Antonietta. Com influências do neorrealismo italiano, é um filme delicado e contundente.
“Eu amo filmes italianos. Acho o neorrealismo italiano um dos melhores momentos da história do cinema.” — Wagner Moura
Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore
Disponível para aluguel no Apple TV+
Um dos filmes mais emocionantes já feitos sobre a relação entre arte e afeto, “Cinema Paradiso” é daqueles que tocam fundo.
A história gira em torno de Salvatore, um cineasta bem-sucedido que, ao saber da morte de um velho amigo, relembra a infância numa vila da Sicília e sua conexão com Alfredo, o projecionista do cinema local.
A produção é um verdadeiro tributo ao poder transformador do cinema e à Itália do pós-guerra, com trilha sonora inesquecível assinada por Ennio Morricone. Ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o longa é um dos favoritos de Wagner.
“É lindo. Eu choro toda vez que assisto.” — Wagner Moura
Iracema: Uma Transa Amazônica (1974), de Jorge Bodanzky e Orlando Senna
(Não disponível no streaming)
Misturando ficção com documentário, esse filme polêmico e impactante acompanha Iracema, uma garota de 15 anos que vive como prostituta, e Tião, um caminhoneiro com quem ela cruza caminhos em meio à floresta amazônica.
A dupla percorre uma paisagem marcada pela destruição ambiental e pelo abandono social, numa crítica feroz ao projeto de “desenvolvimento” da ditadura militar.
Com linguagem crua e ousada, “Iracema” foi censurado por anos no Brasil, mas teve grande repercussão internacional. É um retrato necessário e incômodo de um país em conflito com suas próprias contradições.
Terra Estrangeira (1996), de Daniela Thomas e Walter Salles
Disponível no Globoplay
Ambientado nos anos 90, pouco após o confisco das poupanças no governo Collor, o longa acompanha Paco, um jovem brasileiro que decide tentar a sorte em Portugal.
Lá, ele conhece Alex, uma mulher brasileira que também enfrenta dificuldades e luta para sobreviver em um país que parece tão frio quanto distante.
Filmado em preto e branco, o filme fala sobre exílio, identidade e a sensação de não pertencer a lugar nenhum. Sensível, político e poético, é uma joia do cinema nacional que toca especialmente quem vive ou já viveu deslocamentos, físicos ou emocionais.