Exposição "Pequena Coleção das Dores" de Luciana Padilha abre no Mercado Eufrásio Barbosa em Olinda
A exposição reúne mais de 200 imagens, divididas em núcleos temáticos, além de trabalhos que dialogam com os processos criativos e afetivos da artista
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No dia 28 de março, às 19h, o Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, recebe a exposição Pequena Coleção das Dores, da artista, pesquisadora e professora Luciana Padilha.
Com curadoria de Rebeka Monita, a mostra é um desdobramento do projeto de doutorado da artista, desenvolvido entre 2019 e 2024, que explora a relação entre criação e dor a partir de um inventário poético e visual.
A exposição — aprovada no edital da Lei Paulo Gustavo, realizado pela Prefeitura de Olinda com recursos do Governo Federal — reúne mais de 200 imagens, divididas em núcleos temáticos, além de outros trabalhos que dialogam com os processos criativos e afetivos da artista.
O ponto de partida do trabalho foi o Inventário das Dores, uma obra composta por palavras recortadas de um dicionário que contêm a sílaba ou as três letras "dor" em sua grafia, como "adorável", "caminhador" ou "adormecida".
"Eu saí recortando de um dicionário todas as palavras que continham a sílaba ou as três letras em sequência para recortar e colar. Isso virou uma obra que vai estar lá presente", explica Luciana.
O inventário, com mais de 1.767 palavras, não representa necessariamente a dor em si, mas abre caminho para uma ressignificação desse sentimento através da arte.
A partir desse inventário, a artista transformou as palavras em imagens fotográficas capturadas com uma câmera lambe-lambe, também conhecida como câmera ambulante ou de jardim.
"A ideia era trabalhar realmente o sentido dessas palavras, não necessariamente representar a dor. O trabalho todo do doutorado é uma ressignificação desse entendimento de dor. Com a Pequena Coleção das Dores, a ideia passou a ser traçar um caminho a partir das palavras do inventário, conectando-as aos sentidos e lugares que elas têm na minha própria trajetória. Esse mapeamento é, na verdade, um processo de transmutação — uma forma de olhar para essas dores através da arte, dando a elas novos contornos e significados", afirma Luciana.
A escolha da câmera lambe-lambe, em contraste com a fotografia digital contemporânea, resgata um processo artesanal e intencional, convidando o público a refletir sobre memórias, afetos e dores coletivas.
A curadoria de Rebeka Monita organizou a exposição em núcleos temáticos que refletem a poética de Luciana Padilha.
"São mais de 200 imagens nesse núcleo que é a Pequena Coleção das Dores e mais seis outros trabalhos. Vamos ocupar as duas salas do Mercado Eufrásio Barbosa, além de uma pequena instalação que ficará no pátio de entrada", explica a curadora.
Entre os núcleos, destacam-se o Grupo dos Sonhadores, com retratos de amigos fotografados no Coreto, na Praça do Carmo de Olinda; o Grupo do Colecionador, que reúne imagens e palavras capturadas em positivo e negativo; e o Grupo Redor, que explora o entorno das ladeiras de Olinda, marcando a vida da artista.
O processo curatorial foi marcado por um diálogo próximo entre a curadora e a artista. A exposição reflete não apenas a técnica e a paixão de Luciana pela fotografia analógica, mas também sua capacidade de transmutar dores em arte.
Durante o período da exposição, será lançada uma publicação digital (ebbok) com a coleção completa de imagens e textos reflexivos sobre o processo criativo, incluindo contribuições da Profª Dra. Ana Karenina Arraes, ainda sem data definida.
Serviço
Exposição Pequena Coleção das Dores
- Artista: Luciana Padilha
- Curadoria: Rebeka Monita
- Abertura: 28 de março, às 19h
- Local: Mercado Eufrásio Barbosa – Olinda/PE
- Período: 28 de março a 15 de abril
- Entrada gratuita
