Exposição "Pequena Coleção das Dores" de Luciana Padilha abre no Mercado Eufrásio Barbosa em Olinda

A exposição reúne mais de 200 imagens, divididas em núcleos temáticos, além de trabalhos que dialogam com os processos criativos e afetivos da artista

Publicado em 24/03/2025 às 21:10
Google News

Clique aqui e escute a matéria

No dia 28 de março, às 19h, o Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, recebe a exposição Pequena Coleção das Dores, da artista, pesquisadora e professora Luciana Padilha.

Com curadoria de Rebeka Monita, a mostra é um desdobramento do projeto de doutorado da artista, desenvolvido entre 2019 e 2024, que explora a relação entre criação e dor a partir de um inventário poético e visual.

A exposição — aprovada no edital da Lei Paulo Gustavo, realizado pela Prefeitura de Olinda com recursos do Governo Federal — reúne mais de 200 imagens, divididas em núcleos temáticos, além de outros trabalhos que dialogam com os processos criativos e afetivos da artista.

O ponto de partida do trabalho foi o Inventário das Dores, uma obra composta por palavras recortadas de um dicionário que contêm a sílaba ou as três letras "dor" em sua grafia, como "adorável", "caminhador" ou "adormecida".

"Eu saí recortando de um dicionário todas as palavras que continham a sílaba ou as três letras em sequência para recortar e colar. Isso virou uma obra que vai estar lá presente", explica Luciana.

O inventário, com mais de 1.767 palavras, não representa necessariamente a dor em si, mas abre caminho para uma ressignificação desse sentimento através da arte.

A partir desse inventário, a artista transformou as palavras em imagens fotográficas capturadas com uma câmera lambe-lambe, também conhecida como câmera ambulante ou de jardim.

"A ideia era trabalhar realmente o sentido dessas palavras, não necessariamente representar a dor. O trabalho todo do doutorado é uma ressignificação desse entendimento de dor. Com a Pequena Coleção das Dores, a ideia passou a ser traçar um caminho a partir das palavras do inventário, conectando-as aos sentidos e lugares que elas têm na minha própria trajetória. Esse mapeamento é, na verdade, um processo de transmutação — uma forma de olhar para essas dores através da arte, dando a elas novos contornos e significados", afirma Luciana.

Divulgação
Luciana Padilha, artista - Divulgação

A escolha da câmera lambe-lambe, em contraste com a fotografia digital contemporânea, resgata um processo artesanal e intencional, convidando o público a refletir sobre memórias, afetos e dores coletivas.

A curadoria de Rebeka Monita organizou a exposição em núcleos temáticos que refletem a poética de Luciana Padilha.

"São mais de 200 imagens nesse núcleo que é a Pequena Coleção das Dores e mais seis outros trabalhos. Vamos ocupar as duas salas do Mercado Eufrásio Barbosa, além de uma pequena instalação que ficará no pátio de entrada", explica a curadora.

Entre os núcleos, destacam-se o Grupo dos Sonhadores, com retratos de amigos fotografados no Coreto, na Praça do Carmo de Olinda; o Grupo do Colecionador, que reúne imagens e palavras capturadas em positivo e negativo; e o Grupo Redor, que explora o entorno das ladeiras de Olinda, marcando a vida da artista.

O processo curatorial foi marcado por um diálogo próximo entre a curadora e a artista. A exposição reflete não apenas a técnica e a paixão de Luciana pela fotografia analógica, mas também sua capacidade de transmutar dores em arte.

Durante o período da exposição, será lançada uma publicação digital (ebbok) com a coleção completa de imagens e textos reflexivos sobre o processo criativo, incluindo contribuições da Profª Dra. Ana Karenina Arraes, ainda sem data definida.

Serviço

Exposição Pequena Coleção das Dores

  • Artista: Luciana Padilha
  • Curadoria: Rebeka Monita
  • Abertura: 28 de março, às 19h
  • Local: Mercado Eufrásio Barbosa – Olinda/PE
  • Período: 28 de março a 15 de abril
  • Entrada gratuita

Tags

Autor